Cotas televisivas do Baiano: Clubes reclamam de baixa premiação e falta de transparência

6 de janeiro de 2017
Cotas televisivas do Baianão: Clubes reclamam de baixa premiação e falta de transparência

Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
As cotas televisivas são grande parte dos ganhos financeiros dos clubes de futebol ao redor do mundo. Campeonatos como Uefa Champions League, Copa do Mundo e Copa do Brasil – trazendo para a realidade brasileira – pagam milhões e bônus por título e campanha. Na Bahia, o Campeonato Baiano, dentro das devidas proporções, paga muito menos que esses torneios glamorosos, o que vem gerando reclamações de clubes do interior e da capital. 

De acordo com os dirigentes dos clubes, a TV Bahia, detentora dos direitos televisivos do Baianão, não repassa as cópias do contrato do campeonato, o que inviabiliza o conhecimento maior dos direitos e deveres com a transmissora. “Nós recebemos isso [o pagamento] em oito vezes, parcelado, o que complica um pouco (…) Acho que pelo menos deveríamos ter as cópias dos contratos. Já tentamos, mas infelizmente não conseguimos. Acho que até o próprio Ednaldo [Rodrigues, presidente da FBF] tem dificuldades para consegui-los”, disse o presidente do Vitória da Conquista, Ederlane Amorim, em entrevista ao Bahia Notícias.


A negociação, no caso dos clubes do interior, é feita entre a emissora e a Federação Bahiana de Futebol (FBF), diferente do que acontece entre Bahia e Vitória, que negociam diretamente com o grupo televisivo, que revelou não poder citar valores e detalhes. “A Rede Bahia informa que o contrato vigente até 2020 com a Federação Bahiana de Futebol é regido por cláusula de confidencialidade. Dessa forma, não comentamos publicamente o conteúdo do contrato”, explicou a assessoria da TV, por meio de uma nota.


Apesar da recusa da emissora, estima-se que, em 2017, os times do interior possam receber até R$ 113 mil cada, de acordo com um levantamento feito pelo jornalista Cassio Zirpoli, do Diário de Pernambuco. Essa premiação leva em consideração a campanha de cada clube no campeonato e quantos jogos ele participa no certame.


O Conquista, que brigou para não ser rebaixado em 2016, recebeu cerca de R$ 71 mil, segundo Ederlane Amorim, presidente alviverde. “Em relação a outros estados, estamos bem abaixo. Nós somos a nona federação no ranking, e não podemos nos comparar com Sergipe e etc. Temos que comparar com outros rivais maiores (…) Conversamos com o Ednaldo uma vez e ele disse que o fato de nenhum time daqui estar em competições mais atrativas atrapalha. Os times de Minas, por exemplo, ganham cerca de R$ 600/700 mil e nós só R$ 100 mil (…) O sinal aberto para os locais dos jogos também atrapalha. Já conversamos isso e, em resposta, foi nos dito que não é possível cortar o sinal de uma região inteira”, reclamou o dirigente conquistense.


Final de 2016, entre Bahia e Vitória, foi transmitida pela TV | Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

Presidente do Conselho Deliberativo do Bahia de Feira, Jodilson Souza seguiu a mesma linha do Conquista e reclamou da falta de transparência e dos valores recebidos. “Os clubes [do interior] não participaram [da negociação]. São valores irrisórios que não pagam nem a alimentação do Baiano. É uma das cotas mais baixas do Brasil (…) Eles [TV] estão fugindo um pouco dos outros jogos, pois as partidas são sempre de Bahia e Vitória (…) Como se disputa um campeonato com 10 jogos com esse valor? Poderíamos fazer um parâmetro com outros estados como Pernambuco”, pontuou.

Diretor de futebol do Fluminense de Feira, e um dos membros da nova cúpula que gere o clube, Zé Chico revelou ainda estar estudando de melhor maneira o assunto – a diretoria assumiu o Touro há pouco mais de um mês. “Esse ano ainda não recebemos nenhum contrato. O presidente [da FBF] disse que ainda não fechou as cotas televisivas e de patrocínio. Acredito que ainda haja essa conversa conosco. Mas eu pedirei a cópia. Não é nada demais”, declarou. Ele ainda confirmou que o Flu de Feira recebeu por volta de R$ 90 mil, após ter chegado à semifinal, em 2016.


O dirigente feirense ainda opinou sobre como deveriam ser distribuídas as cotas para os clubes do Baianão. “Acho que deveria ser pelo ranking. Se eu fui quarto colocado no ano anterior… Eu deveria ter uma cota condizente. Acho que Bahia e Vitória tem um peso maior, isso é inegável. Mas, se você é terceiro ou quarto, no ano seguinte deveria receber um pouco mais, né?”, comentou.


O presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, por outro lado, preferiu blindar e discordou dos demais clubes na questão da falta das cópias dos contratos. “Os clubes, eles assinam os contratos. A FBF presta conta a eles sobre os valores. O que pode acontecer é os clubes não quererem disponibilizar isso”, disse. “O contrato inclui cláusula de confidencialidade. A FBF não tem como expor, pois cumprimos o contrato e não temos como divulgar. Porém, os clubes ficam à vontade para falar”, seguiu o discurso, na mesma linha da detentora das transmissões das partidas.

 


Comparativo entre clubes e seus lucros nos estaduais com cotas televisivas | Foto: Diário de Pernambuco
 
Se o Baiano for comparado com outros campeonatos a nível Brasil, as diferenças financeiras são gritantes. Ainda segundo o levantamento do Diário de Pernambuco, os clubes do interior de São Paulo recebem cerca de R$ 3,3 milhões, enquanto a dupla Ba-Vi, grandes potências do estado,  recebe pouco mais de R$ 850 mil. 

O Vitória acredita que o valor é baixo para um clube profissional de Série A do futebol brasileiro, e, por isso, está havendo uma renegociação para aumentar os valores. “Não tivemos essa reunião com a TV Bahia ainda. Só tivemos algumas questões iniciais, há pelo menos 10 dias. Talvez nada mude, pois temos contrato assinado. Temos que cumprir. Mas vamos tentar algo melhor pra nós”, revelou o novo diretor de marketing rubro-negro, Armando Libório. “O contrato do ano passado é de 850 mil. Digamos assim, já está fechado com esse acréscimos [de 10% ao ano] de pouco mais de 900 mil. Mas estamos numa renegociação com as partes, pois é muito injusto e deficitário. Estamos montando um elenco caro e não paga nem a folha do mês. Você entra num campeonato em que pagamos para jogar”, lamentou. Pelo lado do Bahia, a assessoria de imprensa não atendeu às ligações do BN para repercutir sobre o fato.


Outros campeonatos pelo Brasil também dão premiações bem acima da Bahia. No Gauchão, por exemplo, os clubes do interior do estado faturam cerca de R$ 1,1 milhão. Brasil de Pelotas e Juventude recebem uma cota um pouco maior (R$ 1,5 milhão), enquanto Grêmio e Internacional recebem cerca de R$ 11 milhões.

 

Comparativo entre Baiano e demais estaduais | Foto: Diário de Pernambuc

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